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Tese defendida no PPGEA analisa estratégias para mitigar a fome e a desnutrição no Brasil

Apesar de figurar entre os maiores produtores de alimentos do mundo, o Brasil ainda enfrenta desafios relacionados à insegurança alimentar nutricional. Diante das especificidades sociais, econômicas e climáticas do país, quais políticas públicas são mais eficazes para enfrentar esse problema? E por quais mecanismos elas promovem melhorias no bem-estar das famílias?

Essas questões orientaram a tese defendida, no dia 20 de dezembro de 2025, por Caroline da Costa Nascimento de Deus, no Programa de Pós-Graduação em Economia Aplicada da Universidade Federal de Viçosa (PPGEA/UFV). Intitulada “Ways to Mitigate Hunger and Malnutrition in Brazil” (“Canais para Mitigação da Fome e da Desnutrição no Brasil”), a pesquisa foi desenvolvida sob orientação da professora Maria Micheliana da Costa Silva.

A tese investiga três políticas públicas que atuam por diferentes canais no combate à fome e à desnutrição: o Programa Cisternas, a irrigação agrícola e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). No primeiro capítulo, utilizando dados administrativos do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social e o estimador de diferenças-em-diferenças, os resultados mostram que as cisternas para uso doméstico aumentam as compras de alimentos pelas famílias beneficiárias, enquanto as cisternas voltadas à produção contribuem para a segurança alimentar por meio da produção de subsistência, especialmente em municípios mais vulneráveis à seca.

O segundo capítulo examina os efeitos espaciais da irrigação e mostra que ela contribui para a redução da obesidade e da obesidade grave infantil nos municípios vizinhos. No semiárido, entretanto, os benefícios da irrigação para a segurança alimentar e nutricional infantil são observados, principalmente, quando associados às cisternas produtivas, evidenciando a complementaridade entre as duas políticas.

No terceiro capítulo, com base nos microdados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), os achados indicam que estudantes que consomem alimentação escolar gratuita tem maior probabilidade de segurança alimentar e menores chances de insegurança alimentar moderada e grave em seu domicílio. Além disso, o programa reduz os gastos familiares com alimentação, como um mecanismo de transferência de renda indireta, e aumenta a probabilidade de escolhas alimentares saudáveis dentro dos domicílios. Os efeitos são ainda mais expressivos em famílias chefiadas por mulheres e em lares monoparentais femininos.

Ao integrar evidências sobre acesso à água, produção agrícola e alimentação escolar, a tese demonstra que estratégias eficazes de combate à fome exigem políticas complementares, capazes de enfrentar simultaneamente a vulnerabilidade climática, ampliar o acesso a alimentos e promover hábitos alimentares saudáveis. Os resultados oferecem subsídios para o aperfeiçoamento de políticas públicas voltadas à segurança alimentar e nutricional e contribuem para o debate sobre os caminhos para a redução das desigualdades sociais e regionais no Brasil.

A banca examinadora foi composta pela orientadora Maria Micheliana da Costa Silva (UFV), além dos professores Andréa Ferreira da Silva (URCA), Loredany Consule Crespo Rodrigues (UFV), César Nunes de Castro (Ipea) e Mateus de Carvalho Reis Neves (UFV).


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