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Tese defendida no PPGEA analisa quem é o médio produtor rural no Brasil e os efeitos do Pronamp
Pesquisa de Bruno de Souza Machado combina dados dos Censos Agropecuários, informações sobre crédito rural e métodos econométricos para compreender um segmento estratégico da agropecuária brasileira.
Quem é o médio produtor rural no Brasil? A resposta parece simples, mas depende dos critérios utilizados para classificar produtores e estabelecimentos agropecuários. Renda, área, enquadramento em políticas públicas e acesso ao crédito rural podem produzir leituras distintas sobre esse segmento intermediário da agropecuária brasileira.
Essa foi a questão central da tese defendida por Bruno de Souza Machado, no dia 20 de março de 2026, no Programa de Pós-Graduação em Economia Aplicada da Universidade Federal de Viçosa. Intitulada “O Médio Produtor Rural no Brasil: Delimitação, Perfil de Acesso ao Crédito, e Efeitos do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp)”, a pesquisa foi desenvolvida na linha de Economia Agrícola e Ambiental.
Orientado pelo professor Mateus de Carvalho Reis Neves e coorientado pelos professores Carlos Otávio de Freitas (Universidade Federal do Espírito Santo) e Felipe de Figueiredo Silva (Clemson University – EUA), o trabalho analisou o médio produtor rural a partir de três perspectivas complementares. A primeira discute como diferentes critérios institucionais e operacionais alteram a definição e o tamanho desse grupo. A segunda examina o perfil dos produtores que acessam o Pronamp. A terceira avalia os efeitos do Programa sobre o valor bruto da produção e a eficiência técnica.
A tese utiliza informações dos Censos Agropecuários de 2006 e 2017, dados dos Planos Safra e microdados do Censo Agropecuário 2017. Ao longo da análise, o estudo mostra que o médio produtor rural não constitui um grupo homogêneo. Ao contrário, trata-se de uma categoria marcada por diferenças regionais, produtivas, institucionais e socioeconômicas.
Os resultados indicam que o acesso ao Pronamp se concentra em perfis específicos de produtores, produtos e regiões. Entre os beneficiários, destacam-se produtores responsáveis diretamente pela gestão do estabelecimento, com maior presença na região Sul e inserção em cadeias como bovinocultura, soja, milho e café. A pesquisa também evidencia a crescente participação das cooperativas de crédito na operacionalização do Programa.
Na avaliação de impacto, a tese estima os efeitos do acesso ao Pronamp sobre o desempenho produtivo dos médios produtores. Com uso de fronteira estocástica e Regressão de Comutação Endógena, os resultados apontam ganhos médios no valor bruto da produção e efeitos positivos, embora mais modestos, sobre a eficiência técnica dos beneficiários. A análise também mostra que os efeitos do Programa variam conforme o perfil dos produtores, indicando que sua efetividade depende de condições produtivas, institucionais e regionais prévias.
A banca examinadora foi composta pelos professores Mateus de Carvalho Reis Neves (UFV), Marcelo José Braga (UFV), Carlos Otávio de Freitas (UFES), Steven M. Helfand (UCLA-Davis) e Mauro Eduardo Del Grossi (UnB).
Ao integrar análise conceitual, caracterização empírica e avaliação de impacto, a tese contribui para o debate sobre a estratificação produtiva no campo brasileiro e oferece subsídios para o aprimoramento das políticas públicas de crédito rural voltadas ao segmento intermediário da agropecuária.
Sugestão de legenda para a imagem da banca:
Registro da defesa de tese de Bruno de Souza Machado, realizada em 20 de março de 2026, no Programa de Pós-Graduação em Economia Aplicada da UFV.

